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 A BÍBLIA E A HOMOSSEXUALIDADE

Os mesmos que, usaram a bíblia para “provar” que os brancos eram uma raça superior e que a escravidão era uma instituição estabelecida por Deus, hoje a usam como arma para banir os gays. O tempo passou, hoje as igrejas se envergonham da escravidão e morte dos “hereges” como Galileu e outros...
A bíblia não mudou, continua a mesma, mas sua interpretação mudou. Novas informações cientificas e mudanças sociais são alguns dos fatores que contribuem para a mudança e desenvolvimento de nossas crenças.
É notório que a consciência cientifica da homossexualidade atual, não existia até o século dezenove.

Um estudo honesto e corajoso das escrituras nos mostrará que a bíblia não condena a homossexualidade principalmente no contexto de relacionamentos responsáveis e baseados no amor.

 

O que é uma leitura Fundamentalista da Bíblia?

A leitura fundamentalista da Bíblia é um entendimento literalista do texto bíblico, que considera sua forma final como a expressão verbatim da Palavra de Deus e a vê como clara, simples e sem ambigüidade. Normalmente recusa-se a usar o método histórico-crítico ou qualquer outro suposto método científico de interpretação e não leva em conta as origens históricas da Bíblia, nem o desenvolvimento de seu texto ou suas diversas formas literárias.

Ao não levar em conta o caráter histórico da revelação bíblica, a leitura fundamentalista não admite que a Palavra de Deus inspirada tenha sido expressa na linguagem de autores humanos que podem ter tido capacidades extraordinárias ou limitadas e escreveram em diversas formas literárias. Conseqüentemente, tende a tratar o texto bíblico como se ele tivesse sido ditado palavra por palavra pelo Espírito e considera o autor humano mero escriba que registrou a mensagem divina. Além disso, dá indevida ênfase à inerrância de detalhes, em especial os que supostamente dizem respeito a acontecimentos históricos ou questões científicas. Ignora os problemas apresentados pelos textos hebraicos, aramaicos e gregos originais e muitas vezes se prende a determinada tradução ou edição da Bíblia. Na interpretação dos Evangelhos, confunde o estágio final da tradição evangélica (o que os evangelistas escreveram, c. 65-95 d.C.) com seu estágio inicial (o que Jesus fez e disse, c. 1-33 d.C.). Conseqüentemente, ignora a maneira como as comunidades cristãs primitivas entenderam o impacto produzido por Jesus e sua mensagem. Por isso, esta leitura literalista da Bíblia tem pouco a ver com o sentido literal genuíno da Escritura

Lê-se em Josué, um dos livros da Bíblia, capítulo 10, versículos 12-13:

 "No dia em que o Senhor entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel, Josué falou ao Senhor e disse, na presença dos israelitas: 'Detém-te, ó Sol, sobre Guibeon'. E o Sol parou no meio do céu e não se apressou a pôr-se durante quase um dia inteiro."

Este é o passo famoso que deu origem à oposição dos representantes da Igreja a Galileu e à ciência. Como podia ser a Terra a girar, se a Bíblia diz que o Sol parou? Mas já na altura Galileu foi mais avisado do que os seus opositores, quando contrapôs que a Bíblia não nos diz como é o céu mas como se vai para o Céu.

Que a leitura dos livros sagrados não pode ser literal mostra-se inclusivamente pelo fato de eles conterem erros científicos no domínio da física, da astronomia, da história. Pense-se, por exemplo, em todos os debates cegos à volta do Gênesis e concretamente do mito da criação, quando se não percebe que não se trata de informação científica de física ou biologia, mas de uma mensagem religiosa em linguagem mítica: James Usher, arcebispo de Armagh e primaz de toda a Irlanda (1581-1656) pretendeu saber a data da criação da Terra: 23 de Outubro de 4004 a. C., tendo Bertrand Russell observado corrosivamente que esse dia caiu numa sexta-feira, já que Deus descansou no sábado!

Há também o caso risível de um teólogo de Münster que, no século XIX, pretendeu apresentar uma prova "científica" da existência do inferno no interior da Terra, argumentando com os vulcões! É claro que teologias ridículas como estas só podem contribuir para o aumento do número dos ateus.

Os livros sagrados não estão sequer imunes a imoralidades. Não é preciso ser especialmente piedoso para considerar particularmente impiedosa esta impetração bíblica, no Salmo 137: "Cidade da Babilônia devastadora, feliz de quem te retribuir com o mesmo mal que nos fizeste! Feliz de quem agarrar nas tuas crianças e as esmagar contra as rochas!"  Como atribuir a Deus o que não conseguimos pensar de um ser humano bom e decente? O exegeta N. Lohfink assevera que o Antigo Testamento "é um dos livros mais cheios de sangue da literatura mundial".

Torna-se, pois, claro que os livros sagrados - a Bíblia, o Alcorão e todos os outros - não são ditados divinos e precisam, por isso, de uma mediação hermenêutica, não podendo de modo nenhum - exige-o o respeito para com o próprio Deus - ser engolidos na sua totalidade de modo acrítico.

Um dos contributos decisivos da modernidade consiste na leitura histórico-crítica dos livros sagrados. Albert Schweitzer, teólogo, filósofo, médico, músico, Prêmio Nobel da Paz, tinha razão ao escrever que o empreendimento da crítica bíblica representa "a coisa mais poderosa que alguma vez a reflexão religiosa ousou e realizou".

 

                                A BÍBLIA

  O que ela realmente diz sobre a homossexualidade?

São três os principais conjuntos de referências, cada qual com finalidades e contextos distintos, utilizados para atacar os gays e as lésbicas:

1ª: Sodoma e Gomorra (Gn 19,1-29): Resumindo esta história, um homem da cidade de Sodoma chamado Ló, acolheu em sua casa dois rapazes viajantes, à noite, estando eles na casa, ela foi cercada pelos homens da cidade que exigiram de Ló que os entregasse para eles os “conhecer”. Ló oferece-lhes suas duas filhas virgens que tem em casa e não os rapazes, “pois eles são hóspedes” (Gn 19,8). Os homens acusam Ló de ser estrangeiro também e querer ser juiz deles (cf Gn 19,9). Ló não os entrega. Os rapazes e a família de Ló saem da cidade de madrugada, e a cidade é destruída.
É interessante notar que o argumento de Ló, homem de Deus, é de que os rapazes são “hóspedes”, e não homens com quem não se podia, na moral de então, fazer sexo. E o papel da mulher, tão inferiorizadas, que o próprio pai prefere entrega-las à turba violenta para serem maltratadas.

Esta historia lendária de Sodoma criou outra lenda maior: de que a cidade foi destruída porque os homens eram homossexuais, o termo sodomia, usado atualmente para qualquer penetração sexual anal, e sodomita, usado para xingar homens homossexuais, vem daí. No entanto, o “pecado” dos sodomitas, os habitantes de Sodoma, foi atentar contra a hospitalidade sagrada para os povos que vivem no deserto. O profeta Isaias (cf Is 1), acusa os poderosos de Sodoma e de Gomorra de não respeitarem o Direito, oprimirem os pequenos e praticarem uma religião de aparências. O profeta Ezequiel (cf Ez 16,49) diz literalmente que o pecado de Sodoma foi o egoísmo e a ganância, não amparando os pobres e os indigentes.

Durante séculos, gays e lésbicas tem sido vítimas da falta de hospitalidade da sociedade e das famílias cristãs, por causa de uma interpretação mal intencionada do texto bíblico; condenados pelas igrejas e pelo Estado, ridicularizados, oprimidos, rejeitados, perseguidos e assassinados, relegados à marginalização de subempregos, por exemplo. Quem são os verdadeiros “sodomitas”?

2ª: O “Código Sacerdotal” ou “Código da Santidade” do Levítico: “Não te deitarás com um homem como se fosse mulher. É uma abominação” (Lv 18,22 e Lv 20,13).

Estas eram leis destinadas a manter o povo hebreu puro e separado de outros povos, sobretudo dos que adoravam ídolos sacrificando crianças e com a “prostituição sagrada”, tanto masculina como a feminina, nos cultos à fertilidade. Um hebreu que praticasse essas coisas que os babilônios e cananeus praticavam, era “abominável”. Mas entre estas coisas “abomináveis”, incluía-se, por exemplo, semear dois tipos de sementes no mesmo canteiro, comer carne mal passada, ou camarão, fazer sexo estando a mulher menstruada, entre outros. O adultério e a falta de respeito para com os pais igualmente deveria ser punido com a morte. Hoje alguém consideraria “abominação” comer carne mal passada ou carne de porco? Porque se quer aplicar estas normas literalmente apenas para os homossexuais, não será por preconceito, por falta de amor? Ou os que citam a Bíblia, a conhecem de verdade?

A questão do Levítico era religiosa, e não ética ou moral, isto é, não se cogitava que o sexo em si era bom ou mau, mas o uso que se fazia dele, neste caso, afastando-se de Deus e indo atrás de outros deuses para os quais se sacrificavam crianças... É interessante notar que neste mesmo Código, está escrito: “Não oprimirás o teu próximo, nem o salário de teu empregado ficará contigo até o outro dia” (Lv 19,13) que poucos e poucas citam e lembram... A própria palavra “abominável”, no hebraico: toevah, seria mais bem traduzida, e o é, por tradutores mais sérios e capacitados, por “impuro”, ou “falta de limpeza”, o que tem um sentido totalmente diferente.

São Paulo escreveu: “Não deveis nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o outro, cumpriu a Lei” (Rm 13,8).

"Então Pedro tomou a palavra e disse: "Em verdade, reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas em toda nação lhe é agradável o que o temer e fizer o que é justo" Atos 10.34,35

3ª: As Cartas de Paulo: Em Romanos e Primeira Carta aos Coríntios, encontramos algumas passagens que supostamente condenariam a homossexualidade: “Por isso Deus os entregou a paixões aviltantes: suas mulheres mudaram as relações naturais por relações contra a natureza, igualmente os homens, deixando a relação natural com a mulher, arderam em desejo uns com os outros, praticando torpezas homens com homens” (Rm 1,24,27). E “Não vos iludais! Nem os impudicos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os depravados, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os injustos herdarão o Reino de Deus” (1Cor 6,9b-10). Nestas passagens, quando Paulo faz alusão ao homoerotismo, ele as faz para dar um exemplo, para ilustrar um assunto que ele está explicando: não é o assunto em si, o homoerotismo, que é o interesse do Apóstolo Paulo, no entanto, não podemos ignorar sua forte conotação, mas podemos compreender o texto e o contexto.

Na Carta aos Romanos, São Paulo está escrevendo sobre a rebelião contra Deus e suas conseqüências. O resultado óbvio dessa rebelião é a separação de Deus e as coisas boas que se tornam perversas. A religião e o sexo estão entre essas coisas boas. Mas a palavra que é traduzida por “efeminado”, entre outros temos os mais esdrúxulos, malakoi, em grego, quer dizer “mole”, “macio”, se usa para, por exemplo, para definir a manteiga derretida e pode também significar “indisciplinado”, é neste sentido que é usado em outras partes na Bíblia.

Mas Paulo, desconhecendo o sentido atual da palavra homossexual, está escrevendo para pessoas as quais ele considera heterossexuais e que procuravam os prostitutos sagrados e as prostitutas sagradas para aí cumprirem ritos de fertilidade, ou homens casados, que no mundo romano, mantinham relações sexuais com meninos e rapazes.
Continuando a ler o texto, vemos que Paulo enumera uma lista de atitudes destas pessoas: “...Toda a sorte de injustiça, perversidade, avidez e malícia; cheios de inveja, assassínios, rixas, fraudes e malvadezas; detratores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes, fanfarrões, engenhosos, desleais, sem coração nem piedade...” (Rm 1,29-32). Sinceramente, vejo agora, em pensamento, tantos amigos gays e tantas amigas lésbicas e não consigo percebe-los assim, muito ao contrario... E na Carta aos Romanos 2,1-5 , São Paulo usa o termo “por isso” e continua dizendo que quem quer que seja, que se arvora em juiz e julgando outro, condena a si mesmo. “Ou acreditas que julgando os outros fugirás do julgamento de Deus”. E Paulo alerta que Deus é Bom e Paciente e que os homens e as mulheres que julgam os outros estão acumulando a ira de Deus para o Dia do Juízo Final em que Ele vai julgar a todos e a todas com Justiça.

Na segunda passagem, na Primeira Carta aos Coríntios, São Paulo simplesmente adverte contra os atos sexuais que usam ou prejudicam o parceiro ou a parceira, ignorando seu valor e sua dignidade como pessoa humana e filho e filha de Deus. Tal comportamento é sempre condenável, quer seja homossexual ou heterossexual.

Percebemos honestamente que a Bíblia não faz nenhuma condenação generalizada da homossexualidade e dos ou das homossexuais. Isso não significa que para as lésbicas e para os gays tudo seja válido. Se elas e eles usarem a Bíblia como regra de fé, elas e eles deverão, como cristãos, ter uma vida de fé; respeitando; tendo compaixão; sabendo perdoar; sendo justos e lutadores da justiça; trabalhando pela paz; erguendo a voz em defesa da verdade; dando de si mesmo para tudo o que é bom, evitando tudo o que é mau. Fazer isso é seguir o caminho de Deus, é caminhar nos caminhos de Deus. Fazer isso é amar a Deus de todo o coração, de todo entendimento e de toda a alma. Fazer isso é ser um verdadeiro discípulo e seguidor ou discípula e seguidora de Jesus e, ter a certeza de um dia estar com Ele no Céu.  Amém.

Autor: Rev. Don  Eastman - Vice Moderador da Fraternidade Universal das Igrejas da Comunidade Metropolitana

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